segunda-feira, 7 de abril de 2008

Fim do Tout de Bien...

É isso aí, amigos. Depois de um tempinho sem escrever, entrei aqui hoje pra dizer a vocês que chegou a hora de dar um fim a esse blog. Sei lá, não tenho mais paciência pra escrever, não sinto inspiração pra nada, enfim... É hora de dizer Au revoir pro blog Tout de Bien. See you!
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Brincadeirinha, gente! É só porque passou o 1 de abril e eu nem consegui pegar ninguém aqui... Então resvolvi pregar essa peça em vcs, leitores do blog. =)
Bem verdade que eu já andei pensando em parar de postar mesmo. Acho até que esse dia ainda vai chegar, mas acho que não vai ser por agora...
Bom, por aqui está tudo indo bem. Amigos, família, língua (s), trabalho (s), etc. Mas sabem uma coisa que eu estava pensando outro dia? Aqui, eu vivo em constantes momentos de "tomada de decisão". É impressionante, mas desde que cheguei aqui, logo que acaba uma fase decisiva, começa-se outra em seguida. Ou às vezes nem acabei de tomar uma decisão direito e já preciso tomar novas decisões, em outros aspectos. Vocês podem me dizer que "isso é a famosa vida de adulto" e eu até concordo. Mas aqui, pelo menos nesse primeiro ano de Montréal, eu me pego constantemente em conflito por ter que decidir o próximo passo, o que devo fazer primeiro, o que farei em seguida e vivo com receio de ter feito a escolha errada ou ter decidido na hora errada. Sei lá, acho que vocês nem vão entender o que eu estou querendo dizer, mas é isso...
De qualquer maneira, entre uma decisão e outra, a gente sempre dá um jeitinho de relaxar e se divertir com os amigos, né. E como já tem um tempinho que não posto fotos, aqui vão alguns registros dos últimos eventos.


Amigolate na Páscoa. Ou melhor, "inimigolate"!





Almoço e passeio com os amigos Geneviève, Olivier e François-Gustave.



Sushi Party!


Despedida de Juliette, que voltou pra França.





Níver do Caio (nessa casa aí, cada noite, uma nova história. rs...)

terça-feira, 11 de março de 2008

Et finalement... la merde blanche!

Ok, ok... A merda branca ganhou o jogo. Je ne peux plus. Chega de tanta neve!
Gente, em abril nós vamos completar 6 (SEIS!!) meses debaixo de neve. Dizem que há muitos anos não nevava desse jeito, e realmente, tá sinistro! Até agora, foram mais de 300 cm de neve acumulada. O orçamento do governo do Québec reservado pro déneigement já está mais que saturado. Algumas cidades já desistiram de retirar a neve das ruas, porque não tem mais onde jogá-la.
Essa última tempestade foi coisa de louco! Eu estava no trabalho e da janela, pude acompanhar a evolução da neve, cobrindo um carro estacionado na rua. Era tão rápido, que a cada vez que eu olhava, parecia que eu assistia a um filme em modo acelerado.
O pior foi na hora de ir pra casa: tive que ficar na fila do ônibus por alguns minutos, sentindo a neve sendo literalmente jorrada na minha cara (por sinal, a única parte exposta). Daí eu virava o corpo pro outro lado, mas a ventania espalhava a neve por todos os ângulos, não tinha como escapar. Acho que nunca senti uma sensação tão bizarra. Bizarra e contraditória, por vários motivos:
1-Imagina você escutar o barulho da neve sendo jorrada em você, é o mesmo barulho da areia na praia quando venta e bate nas suas pernas. Deu pra imaginar? Agora imagina isso sem a dor. rs... Porque como é neve, pelo menos não dói quando bate no rosto. O incômodo mesmo é por ser frio.
2-Tempestade é sinônimo de raios e trovões, certo? Errado! Tempestade de neve, meu amigo, é do tipo mineirinho, come quieto. É tão silenciosa que às vezes é difícil acreditar que está esse caos todo. Barulho mesmo, só da ventania.
3-A mais complexa contradição de todas: é lindo!! Lindo de ver toda aquela neve caindo, você olha pro céu e vê a neve vindo... Os carros brancos, a cidade toda branca... Não sei se ainda é vestígio da novidade, mas é bonito mesmo.
Mas... Como nem tudo está perdido e todos nós sobrevivemos (!!), aqui vão alguns videozinhos e fotos dos dias pós-tempestade que fizemos. Por pior que digam na mídia, eu ainda acho a estrutura da cidade incrível nessas horas.
Alguns dias antes da tempête, fomos à festa da Lumière, a Nuit Blanche de Montréal. Show de bola, foram mais de cem atividades organizadas, com estrutura de ônibus na madrugada pra levar aos principais eventos. Museus, bares, cinema, até a biblioteca ficou aberta durante quase toda a noite, com programação lá também.
No videozinho, a mulherada "se fazendo" numa Cabane à sucre.

terça-feira, 4 de março de 2008

Algumas coisinhas que admiro nos quebecoises

A impressão que tenho aqui é que a consciência dos quebecoises (e imigrantes de muitos anos) está crescendo cada dia mais, em relação ao aquecimento global. Eles têm uma consciência muito legal de como nós podemos ajudar a, pelo menos, não poluir ainda mais o meio-ambiente.
Uma forma deles fazerem isso é simplesmente rejeitarem os saquinhos plásticos na hora de fazer uma compra pequena. Aqui tem uma campanha muito forte pra você comprar sua própria sacola de supermercado (biodegradável) e utilizá-la várias vezes, não precisando assim, dos saquinhos plásticos, e conseqüentemente, poluindo menos o meio-ambiente. Mas o fato é que, mesmo quem não tem essa sacola em mãos, geralmente diz que não precisa do saquinho pra guardar o pouco que comprou. Eles simplesmente colocam na bolsa, na mochila, no bolso, etc. E o melhor é que as pessoas ainda comentam coisas do tipo "não preciso de saco não, vamos ajudar o meio-ambiente"... Ou seja, é por este motivo mesmo! Muito legal isso!
Por falar em ecologia, vocês sabiam que até 2010 Montréal terá um imóvel de 5 andares, construído com 100% de materiais reciclados ou reutilizados?? Além disso, ele vai ter toda uma estrutura com consumo menor de água e de energia elétrica. No final do ano passado, saiu uma série de reportagens sobre este projeto e o bairro vai ser considerado como um dos mais ecológicos do mundo!
Mas fugindo um pouquinho do assunto ecologia, outra coisa legal que observo aqui é que eles fazem o maior esforço em ajudar a pessoa na hora do troco de uma compra. rs... Quando o preço final, já com as taxas dá um valor quebrado, eles normalmente calculam rapidinho uma forma de te fazer gastar menos moedas, arredondando pra 1 dólar, ou pra 25 cents, e por aí vai. Isso não é muito comum no Brasil, né? Pelo contrário, são as pessoas dos caixas que às vezes ficam sem troco porque não têm moedas.
Mas acho que isso aqui faz parte da cultura geral do quebecois, esse hábito de simplesmente olhar pro outro, ajudar expontâneamente... E nós só temos a aprender com isso!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Festinha no Brasil e aqui!

Hoje completamos 8 meses de Montréal!! Oito mesezinhos gente, o bebê tá quase nascendo! hihihi
Mas é isso mesmo, em 8 meses aqui, nós nascemos de novo, recriamos nossas vidas em vários aspectos, até nos pequenos detalhes: reaprendemos a falar, a escrever, a interpretar textos, a redigir CV, a usar máquina de lavar com moeda, a fazer varal na sala do apartamento, pois as roupas que não vão na máquina de secar, também não podem ficar lá fora com esse frio todo... E por aí vai...
Quando eu digo que nascemos de novo, é porque é assim mesmo que nos sentimos, porque este recomeço gera mudanças muito fortes nas nossas vidas. É um recomeço onde absorvemos muita informação de uma nova cultura, ao mesmo tempo em que criamos novos valores, novos hábitos (sem esquecer a base dos nossos, lógico).
É claro que, quanto mais se pesquisa antes de vir, melhor preparada a pessoa vem. Mas mesmo assim, existem detalhes do cotidiano - como o fato de não precisar balançar o braço pro motorista do ônibus parar na sua arrêt, ou ainda os choques que a gente leva, por causa da secura dos aquecedores - que são coisas que a gente só aprende aqui, no dia-dia e pagando muito mico! =)
Pra encerrar esse assunto, completo dizendo que mesmo depois de 8 meses, ainda estamos caminhando em relação às duas línguas, damos um passo a cada dia. Ainda me pego de vez em quando dando aquele sorrisinho amarelo, quando fazem uma piada no trabalho, só pra eu não ficar com cara de "não entendi"... Acho que é como o Alexandre sempre diz, os dois grandes fatores que influenciam na adaptação de quem se muda de país são: trabalho na sua área (e satisfação por isso) e fluência na língua. Com essas duas partes resolvidas, o resto acaba fluindo naturalmente.
Mas outra coisa importante pra esse post, é que hoje é aniversário do meu paizinho lindo e amado! Meu pai, um ex-padre que cresceu na roça do Rio Grande do Sul, ex-professor, ex-tradutor e revisor da Embrapa, é um senhor já de idade, que está fazendo hoje 83 anos. É uma pessoa com uma história de vida linda e ao mesmo tempo triste em alguns aspectos, com um coração enorme, cheio de bondade e carinho pra dar. Paizinho lindo, como te amo!!! Que Deus te dê ainda muitos anos de vida com muita saúde, principalmente porque você sempre teve uma saúde de ferro, mas à medida que os anos vão passando, as coisas mudam um pouquinho, né? Queria estar aí hoje pra te dar meu abraço pessoalmente, mas mando "virtualmente" todo o meu desejo de felicidade pro senhor.


Nem vou falar muito, porque já tô me emocionando aqui. rs...

Mas é isso, gente! E vamo que vamo, rumo ao primeiro aninho na terra gelada! Aliás, contagem regressiva, hein: 4 semanas pro inverno acabar (oficialmente, pelo menos! hehehe).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Uma questão de sobrevivência

Esse fim de semana, Alexandre teve uma crise horrorosa de enxaqueca, como nunca teve antes. Ele ficou de sexta a domingo sofrendo com a dor, e não teve neosaldina que resolvesse o problema. No domingo, depois de ligarmos pro InfoSanté no fim do dia, a enfermeira nos recomendou que fôssemos pro hospital, já que o Alexandre naquele momento já estava num ponto de gemer de dor... Lá fomos nós encarar o frio, levando todos os analgésicos que ele tinha tomado, pra mostrar pro médico.
Mas sem mudar o foco do post, o fato é que eu nunca senti tanto a importância de saber me COMUNICAR, como senti nesse dia. Graças a Deus correu tudo bem, consegui entender o que a médica falava e me fiz entender também. Mas só me passava uma coisa na cabeça: imagina se numa situação de emergência como essa (só nós dois lá, e ele sem conseguir falar muito) eu não conseguisse me comunicar, dizer o que ele está sentindo, há quanto tempo, o que ele já tomou, etc... Ainda mais estando num país diferente, tudo o que colocavam no soro dele, eu anotava o nome, perguntava pra quê servia, qual a composição. Se no Brasil eu já ficava ligada nessas coisas, aqui minha atenção redobrou, né.
Bem verdade que a médica falava em inglês e eu respondia em francês, mas o que importa é que a gente se entendia. rs... Por isso meus amigos, esse post hoje foi apenas pra dizer isso: não brinquem com a questão da língua. Numa hora de urgência, isso vai além do lado social ou profissional. É realmente uma questão de sobrevivência.
Passado o susto, ele já tá bem de novo! =)